25 de agosto de 2010

Sim era eu. Era eu ali parada em sua porta, chamando pelo seu nome e temendo não ser atendida. Surpresa ao te ver. Coração na boca. Mãos suadas. Pernas moles. Procurando um motivo. Ensaiando o sorriso. Pensando na primeira frase. Torcendo para que você me abraçasse. Fotos e mais fotos. Enquanto você me contava suas aventuras eu relembrava nossos momentos. Pensava no tempo que passou e em como não acreditava que finalmente tinha tomado coragem de te procurar. Risos e histórias do passado. Eu procurando em você, o que eu já conhecia. Matando a saudade do seu sorriso e guardando o som da sua voz. Carona pelo caminho que você fazia para minha casa. Fiquei imaginando em como você se sentia, anos atrás enquanto caminhava por aquelas ruas escuras. No tamanho do seu sentimento e dos seus sonhos. Percebi que não te conheço mais e pensei em como você deve ser agora. Continua lindo. Tem o mesmo jeito. A mesma mania de planejar o futuro. O mesmo controle, para chegar onde quer. E seu coração? . É preciso tempo. Às vezes muito tempo, para que finalmente possamos entender o que se passou. E ainda assim, pode não ser possível explicar. Eu acordei naquele dia e lembrei de você. Do seu jeito amável que nunca mais vi igual. Mas naquele dia foi diferente, você foi meu pensamento o tempo todo. Eu sentia um aperto no peito e uma vontade de chorar por não entender o que acontecia. Eu precisava te ver. De qualquer jeito. Talvez se te visse, meu coração me daria uma pista. E eu fui. Logo eu, que fujo do que não entendo. Logo eu, que escrevo porque não digo mais tudo o que penso. Logo eu, que temo qualquer rejeição... Não respirar fundo e te expliquei meus motivos, que naquele momento ficaram claros. Não me contentei com seu abraço breve e por isso te liguei logo.  Hoje faço uma nova escolha. Vou te guardar novamente no peito. Vou me lembrar de você nas datas festivas, como sempre o fiz. Vou lembrar de você sorrindo e do seu jeito doce depois de tanto tempo. Depois de tantos anos. Mas, preciso mantê-lo em um lado que não doa. Onde não corte minha consciência, como faca afiada.

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