24 de agosto de 2010

Eu fugi de mim. Levei na mala amor de sobra, alguns sonhos, todos os meus medos e minha fé que não me falta. Andei, até chegar onde podia. Morei alguns dias do outro lado. Dormi ao lado dos meus maiores inimigos imaginários. Abracei a saudade. Chorei em silêncio. Refiz teorias. Descartei algumas idéias tolas. Apaguei alguns números de telefones. Fingi também que não era nada. Morri por horas. Acordei calada. Depois de dias no calendário e vidas dentro de mim, levantei. Procurei o caminho que conhecia. Acenei de longe para tristeza e fui. Ainda não parei de ir. Vou indo. Vou longe. Deixei o que não era meu para trás. Não viajo em má companhia. Tão pouco, vivo. Vai doer às vezes. Vai até sangrar. Às vezes, nada poderá ser feito. Às vezes, basta um olhar.

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